domingo, 4 de janeiro de 2009

A vida é uma festa.


O que é que acontece quando as flores e o marketing cruzam os seus destinos? Nasce a Bee Ineditus, a empresa de organização de eventos que sabe que a vida é feita de pormenores. As abelhas mestras deste projecto são Cátia Salgueiro de Almeida e Celina Vale, que em conjunto com uma equipa de designers e criativos, organizam todo o tipo de festas, do espaço ao catering, da decoração à animação, dos convites aos transportes. A Bee Child organiza a festa de anos do seu filho num espaço à escolha ou em casa, leva a bolo de aniversário e o catering, os brindes e os animadores. A Bee Corporate trata com todo o profissionalismo dos jantares, congressos, encontros, reuniões e festas de Natal da sua empresa ou marca. A Bee Flower sabe que as flores estão sempre convidadas para os momentos de festa. O seu serviço de arte floral requintado transforma o espaço num lugar onde se vivem todas as sensações de um jardim repleto de flores. A Bee Wedding trata de tudo para que o dia mais importante da sua vida seja inesquecível, da cerimónia civil ou religiosa aos convites, da decoração do espaço às refeições gourmet, da música e animação à reportagem fotográfica. Se quer festejar ou partilhar de forma inédita um momento especial na sua vida, peça o orçamento gratuito à Bee Ineditus.

Rua Saraiva de Carvalho, 209 B 1350.300 Lisboa
T. 210 995 648 geral@beeineditus.pt www.beeineditus.pt
Seg > Sex: 10h >19h30, Sáb: 10h >14h

sábado, 3 de janeiro de 2009

O melhor bacalhau do mundo.


Sabe onde mora o melhor bacalhau do mundo? Importado da Noruega, Islândia e Canadá, o fiel amigo é seleccionado especialmente para a Casa do Bacalhau. Às postas ou inteiro, seco ou congelado, crescido ou graúdo, especial ou jumbo, é o protagonistas de mil e uma receitas e tem o tamanho da sua família. Se também aprecia outros peixes, encontra aqui congelados de alta qualidade como pescada e salmão e ainda marisco como lagosta, sapateira, gambas e mexilhão.


Casa do Bacalhau
Mercado de Campo de Ourique, Loja 45/46
Rua Francisco Metrass
T: 213 978 970
Seg > Sáb: 7h >14h

Tem lógica ser biológico.


Neste mini-mercado situado no grande Mercado de Campo de Ourique, respeitam-se os ciclos da natureza e todos os produtos são certificados. Deixe a pressa à porta e venha escolher os legumes, frutas e carnes, iogurtes de soja, massas, azeites e vinhos, sumos naturais, bolachas, cafés, chás e chocolates que vai levar para casa. Todos estes alimentos de cultura biológica têm algo em comum: sabem bem e fazem melhor. Tem lógica, não tem?


Mundo Biológico
Mercado C. Ourique: Rua Francisco Metrass, Lj.1/2 1350-138 Lisboa
Mercado de S. Bento :
Tlm. 915 195 448 / 915 195 449 www.mundobiologico.pt
Seg > Sáb: 9h > 20h

Viagem a Itália


Na Maria da Fonte saboreia-se uma piadina com salame e ricotta e imaginamos que alguém vai a passar de Vespa. Chegam os ravioli de trufas com salva e acreditamos que o sol apareceu por nossa causa. Pedimos um carpaccio de espadarte fumado com pimento recheado e sentimos a brisa do Mediterrâneo. À volta das palavras os copos guardam o perfume do vinho Moscato e então, pedimos ao tempo que se imobilize como uma estátua de pedra renascentista.


Maria da Fonte
Rua 4 de Infantaria, 8A 1350-271 Lisboa
T. 213 968 201 www.mariadafonte.pt
Ter> Dom:10h >22h

365 dias de good hair days.



Na Look não existem bad hair days. Neste cabeleireiro unisexo os seus cabelos estão em boas mãos e podem mudar de look todos os dias. Hoje, têm caracóis loiros como um anjo e para a semana são ruivos e ondulados como os de uma fada ou negros e brilhantes como os de uma mulher fatal. O alisamento japonês torna obedientes mesmo os cabelos mais ondulados e as extensões em cabelo natural e com todas as cores do arco-íris dão nas vistas. Não admira que à saída alguém lhe pisque o olho do outro lado do espelho.


Look
Rua Francisco Metrass, 105 A 1350 Lisboa
T: 213 840 496
Seg > Sáb: 9h > 19h

Uma fita métrica única no mundo.


Na Ao Centímetro as fotografias dos álbuns não se medem aos centímetros, mas sim em memórias. Os mealheiros em forma de carrinha guardam quilómetros de poupanças. As mantas de lã crescem muitos centímetros nas noites frias e os tecidos com flores medem-se em bom gosto. A Ao Centímetro desenvolve projectos de decoração à medida da sua casa e até descobre centímetros por decorar.

AO CENTÍMETRO
Rua Campo de Ourique, 123A 1350 Lisboa
T: 213 869 125 Tlm: 966 062 535 mariafatimaluis@netcabo.pt
Seg > Sex: 10h >19h, Sáb 10h > 13h

Basta um toque...


As mãos acordam as requintadas peças das Casquinhas do Jardim com um toque. A travessa de forno traz o gratinado de gambas quente para a mesa e o balde de gelo mantém o champanhe fresco para o brinde em família. A jarra é a morada temporária das rosas príncipe negro e as molduras guardam para sempre a fotografia de uma princesa de 15 anos. E porque as mãos também deixam marcas menos felizes, fazem-se restauros, consertos e limpeza das peças.

As Casquinhas do Jardim
Rua 4 de Infantaria, 12 1350-272 Lisboa
T. 213 962 602 F. 213 941 264 www.casquinhas-jardim-d2d.pt
Seg > Sáb:10h >19h30

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Quem está a bater à porta?


Tal como o Inverno, as Galerias São João também batem à porta e são uma visita da casa. As mantas com padrões coloridos ficam na sala a ver televisão enquanto chove lá fora. Os aventais e as pegas dirigem-se para a cozinha e organizam um almoço em família com empadão no forno e bolo de maçã. As toalhas de banho turcas pedem licença para tomar um banho de imersão à luz de velas. Os roupões e pantufas adormecem no quarto e têm um sonho de uma noite de Inverno.

Galerias São João
Rua Coelho da Rocha, 85 A 1350-Lisboa
T. 213 963 226
Seg > Sáb:10h>20h

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Era uma vez uma ervilha...


Era uma vez uma ervilha que saiu da casca para vestir príncipes e princesas. Este Inverno inventou originais modelos com muitas cores, além do verde: vestidos de fazenda, casacos de lã, calções, túnicas de veludo, saias rodadas, meias e pijamas. E porque esta ervilha não quer tirar o sono, também tem mobiliário para quarto como berços e camas, fofos édredons em patchwork e mantas de lã para embalarem sonhos.

Verde Ervilha
Rua Tenente Ferreira Durão, 48 A 1350-317 Lisboa
T. 213 867 141
www.verdeervilha.com
Seg. > Sex: 11h > 19h, Sáb: 10h > 13h

O que vai ela vestir amanhã?


Na Sax as mulheres improvisam a vida, numa dança dos opostos entre a luz do dia e o mistério da noite. Um dia, decidem sair da casca e vestem o vestido preto com um pintainho. Noutro, apetece-lhes jantar sushi e escolhem o vestido amarelo com botões pretos. Numa manhã de Inverno, vestem a gabardine com bolinhas vermelhas e sacodem da sua vida as gotas de chuva e a monotonia. Numa noite de festa, são o centro das atenções com a sua mala original de pele prateada e dourada, que esconde uma vida interior no forro de leopardo. No fim-de-semana, decidem ser românticas e hesitam entre o vestido com flores de crochet e a camisa de veludo com folhos. E assim atravessam os dias do calendário, sem que ninguém saiba o que vão vestir amanhã.

Sax
Rua Coelho da Rocha, 25C 1250-087 Lisboa
Tlm. 919 880 701 sax.atelier@gmail.com
Seg > Sáb: 10h > 19h

Sonhos de uma casa no Inverno


Os tecidos tocam-se com os olhos ou vêem-se com as mãos? Escolhem-se por catálogo ou levam-se por impulso? São medidos em metros de sonho ou de quotidiano? Seja qual for a resposta, neste emblemático espaço do bairro que atrai compradores de toda a cidade, de todo o país e até de países distantes, os rolos de tecido expostos dão mesmo vontade de levar para casa. Aqui encontra sonhos projectados em tecido, vindos dos quatro cantos do mundo para os quatro cantos da casa. São organzas turcas, sedas indianas, linhos ingleses, estampados franceses, tecidos artesanais do Brasil, Grécia e Marrocos e ainda chintz, veludos e damascos. Ao todo, há mais de 3 mil tecidos, com cores e formas inimagináveis, como padrões de zebra, leopardo e tigre, cafeteiras de café, notas musicais, Vespas e Minis, notícias de jornal, banda desenhada, cães de caça, ícones da cultura pop, caracteres orientais, máscaras africanas, cornucópias multicolores, flores douradas, animais de estimação, monumentos históricos, golfe e hipismo, parafusos e pétalas de rosa, cogumelos e marisco, riscas e bolas. É um mundo de possibilidades para vestir de novo as janelas, os sofás, as bergeres, as camas, as chaise-longue, as almofadas e os abat-jours e recriar a personalidade da casa. No Vidal Tecidos, a Vidal Home tem cortinados, mantas ou almofadas já criados em medidas standard. Mas para quem gosta de ter peças únicas no mundo, o Vidal Atelier confecciona cortinas, camilhas, sofás, bergeres, cadeirões, puffs, cabeceiras de cama em duas semanas, resultando numa peça original e manufacturada segundo os mais elevados padrões de qualidade. E para os gostos mais exigentes e requintados, a Vidal Prestige tem uma colecção composta por tecidos das mais prestigiadas marcas do mundo da decoração: Hôgaris, Anne & Robert Swaffer, Accademia Tessile, Kobe ou Tormo & Designers e ainda Benetton, Adolfo Dominguez Casa e Disney Home, três referências no mundo da moda que também se dedicam à decoração. Seja qual for o seu sonho de decoração, ao entrar por esta porta é provável que saia daqui com uma casa nova.

Vidal Tecidos
Rua Saraiva de Carvalho, 356 B e D 1350 – 304 Lisboa
T: 213 931 411
Seg > Sáb: 9h > 19h
www.vidaltecidos.pt

De olhos em bico e pauzinhos na mão


São dezenas de combinações de massa grossa, fina e vegetariana com galinha, camarão, pimentos, rebentos de soja e gengibre. Um menu de sushi com katsu de galinha, maki vegetariano e sashimi de salmão entre muitos outros. E ainda originais pratos de caril e de arroz, cozinhados com milho, salmão, côco, bambu, pepino ou frutos do mar. É um mundo de receitas orientais, na sua versão ocidentalizada, para alimentar o gosto pelo exótico e deliciar a alma.

Nood
Rua Ferreira Borges, 96C 1350 Lisboa
T. 213 879 529
Todos os dias, das 12h > 23h

A casa das palavras



Nesta casa feita de palavras, os escritores e os livros encontram-se mesmo sem terem combinado. “A Viagem do Elefante” de José Saramago cruza-se no corredor com “Pela Estrada Fora” de Jack Kerouac e os poemas de Herberto Helder, Leonard Cohen e Sylvia Plath falam em silêncio à volta da mesa. As “Peças de Teatro Escolhidas” de Ibsen e “O Mecador de Veneza” de Shakespeare ensaiam um diálogo no sofá e Alice, Emma Bovary e Dorian Gray saltam dos livros para a vida. Os livros de street art e graffitis decoram as montras, enquanto Óscar Niemeyer constrói a cidade do futuro. Os livros de Man Ray, Paula Rego e Leonardo da Vinci são vistos ao lado da biografia de Marlon Brando e do catálogo de Manoel de Oliveira. O “Grande Livro do Cão” e “O Pequeno Livro dos Gatos” passeiam pacificamente numa prateleira enquanto Jamie Olivier regressa à cozinha para experimentar novos pratos. Na secção infantil, os robots escutam com atenção as Fábulas de La Fontaine e as aventuras do Homem-Aranha. De vez em quando, ouve-se o barulho do virar das páginas, como se todos os livros tivessem vida nesta casa. Ou não fosse “Books and Living” a assinatura da Bulhosa.

Bulhosa
Rua Tomás da Anunciação, 68 B 1350-330 Lisboa
T. 213 839 000 Seg > Sáb, 10h às 22h e Dom:10h > 18h

Pimenta na língua


Nesta mercearia fina a pimenta é rosa, o chá é verde, as compotas são laranja e o mel é dourado. Mas todos os produtos que habitam as prateleiras são genuínos sabores portugueses, como caixas de chocolates e rebuçados, frascos de compotas e frutos em calda, garrafas de vinho, licores e azeite, conservas de atum, pacotes de biscoitos caseiros e embalagens de chá e café. E se quiser, esta casa portuguesa, com certeza, vai até sua casa criar ambientes, servir jantares e até pôr a mesa.


Pimenta Rosa
Rua Almeida e Sousa, 48 B 1350 Lisboa
T: 213 889 430 Seg > Sáb: 10h > 20h
www.pimentarosa.pt

Quantos sonhos guardam as mãos?


Na Beads todos os seus sonhos ganham forma com as contas de feltro, metal, vidro, madeira, cerâmica ou osso e ainda cordões, fios, arames, fechos e terminais. Atraídas pelo fio da imaginação, levam o coração na mão esquerda pousado num anel e colhem uma flor na pulseira da mão direita. Trazem um pássaro à volta do pescoço, esvoaçando num colar e libertam uma borboleta que deixa cair um segredo num brinco.

Beads
Rua 4 de Infantaria, 30 B 1350-122 Lisboa
T. /F. 213 888 089 www.beads.pt
Seg > Sáb: 10h > 19h

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

O bairro que é uma cidade

É o bairro que nos habita ou somos nós que o habitamos? Neste bairro que é uma cidade em todos os sentidos, a rua principal é sempre ao virar da esquina. Em Campo de Ourique há 1,63 km2 de compras que dão vontade de inventar pés e partir à descoberta das lojas onde o Inverno se veste, almoça, compra livros, toma café, decora a casa e sonha. Os presentes originais fazem o coração flutuar e os embrulhos têm a forma de um abraço. Nas casas com cachet, que as imobiliárias do bairro conhecem como ninguém, a luz bate à porta. No Jardim da Parada apetece falar com as árvores centenárias e explicar-lhes que as pessoas também têm raízes. No parque infantil o vento sacode o riso das crianças entre as árvores que sossegam a pressa da cidade. As livrarias convidam a passear entre as estantes e conversar com os escritores e com os livros, esquecendo o mundo lá fora. Uma mão cheia de galerias de arte contemporânea desafia o olhar subjectivo. As esquinas do bairro marcam os mais imprevisíveis encontros e a única idade das ruas é o agora. Nos cafés e esplanadas, os poemas e conversas, e-mails e chats acabam em segredo. Neste bairro embrulhado em papel pelo Campo de Ourique Shopping, as 588 moradas úteis revelam espaços que assim abandonam a sua transparência e dão um sentido especial à vida.

As setas que indicam por onde ir também acertam no coração. Por onde vamos? Apetece não acrescentar a última frase e deixar outras mãos escrevê-la.


quinta-feira, 26 de junho de 2008

Lançamento de 'Efeito Borboleta'


(clicar na imagem para aumentar)

Efeito Borboleta e outras histórias, um livro de contos curtos de José Mário Silva, editado pela Oficina do Livro, será lançado amanhã, sexta-feira, pelas 18h30, na Casa Fernando Pessoa. António Mega Ferreira apresenta a obra.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Ninguém vive sem Optimus


Eu precisei de uma segunda via do meu cartão Optimus e de um novo telemóvel. E tu, de que é que precisas? O modelo Samsung J200 tem videochamadas, para que possas ver com quem falas. O Nokia N95 tem mobile tv, para que possas asssitir às meias finais do Campeonato da Europa onde quer que estejas. O Motorola K 1 tem leitor de mp3, para que as tuas músicas preferidas te inspirem e te sigam como uma sombra. O Sony Ericsson K320i tem câmara fotográfica, para que as imagens dos rostos que amas não vivam apenas na tua memória. Porque ninguém vive sem palavras e sem emoções.


Optimus
Rua da Infantaria 16, 58 1350 Lisboa
Tlm: 932 880 150
Seg>Sex: 9h30 >14h e 15h >19h, Sáb: 9h30 >13h

Memória do telemóvel, do cartão ou do coração?

Deixei a minha vida no táxi, pensei e sorri de forma visível perante a indiferença da cidade apressada, enquanto apanhava outro táxi, mas não o meu telemóvel, de regresso a Campo de Ourique. Talvez seja um sinal para começar uma vida nova, apenas com os números que sei de cor (par coeur, dizem os franceses e não deve ser por acaso). 6 números que tocam o meu coração e que o meu coração toca com as pontas dos dedos, sempre que os escolho e organizo, sem hesitar.
Já na Optimus, eis o que se passou: Precisei de uma 2ª via (que a bem dizer já deve ser a quinta ou sexta) e tive-a em menos de 3 minutos. Comprei um novo telemóvel da marca antiga, na esperança de encontrar um menu parecido e recuperei os meus ouvidos. Fiquei automaticamente contactável, apesar de quase não poder contactar, mas eis que duas chamadas (de números que nunca saberia identificar) e outras tantas mensagens me fizeram acreditar que recuperei a voz e que finalmente a cidade apressada me ouviu e até falou comigo. E tomei uma decisão. É desta que vou escrever todos os números que recuperar com a minha mão esquerda na agenda preta. Mas não os vou decorar. O novo telemóvel que os guarde no seu coração mecânico, alfabético, ordenado e incapaz de lamentar uma perda.
Quanto aos 6 números que sei de cor, com receio de que algo falhe na memória do meu coração, decidi guardá-los disfarçadamente nas letras M, G, R, A, V e J. Não vá um dia deixar o meu coração num táxi.

Deixei a minha vida no táxi

Deixei a minha vida no táxi, gritei em surdina perante a indiferença da cidade apressada, enquanto os meus passos descompassados se afastavam cada vez mais do automóvel preto e verde, cada um de nós seguindo caminhos opostos na grande avenida. Deixei os meus contactos profissionais no táxi, gritei um pouco mais alto, na esperança de que a multidão anónima se comovesse mais com um desaire laboral do que com uma crise existencial, à medida que o ténue fio de esperança de recuperar o objecto que parecia materializar a minha vida se tornava invisível. Apetecia-me telefonar a alguém e dizer: "É como se me tivesse esquecido de um pulmão, de um pé ou de um pedaço de pele no banco de trás do táxi. E também de um fragmento do meu coração. Perdi as longas horas de conversas ao ouvido, as cicatrizes de pequenos e recorrentes acidentes domésticos, as sms que nunca tive coragem de apagar, a companhia silenciosa no bolso das calças de ganga, o despertador de todas as horas. E cada letra recordada por ordem não alfabética faz-me ver melhor tudo o que perdi. C de consultórios médicos. V de veterinários. G de gráficas, E o J, tantos nomes e números. Como apanhar um táxi sem o R de rádio táxis? E o Z de um velho professor e amigo? Cada letra (à excepção do K e do O) trazem novos indícios de perdas". Terminada esta chamada imaginária e logo que apanhei um telefone à mão, comecei a ligar para mim, como se fosse um outro e confesso que tive alguma dificuldade em alinhar à primeira e sem hesitações o meu número. Não atendi. Nunca atendi. O telemóvel perdido não podia ser uma parte de mim, conclui.